Poucos profissionais conheço aqui na minha ocupação de sabidos embelecados, com tamanha e afiada habilidade, conseqüência e poder de dissimulação. Nela, os mandriões e picaretas dissimulam mal, não enganam sequer a si mesmos e são uns falidos diante da opinião pública. Sequer chegaram a populares. Não conseguindo enganar a si, quem dirá aos outros? Ninguém, acordado, lhes dá crédito. E, houvesse um encontro de contas, ficariam enroladinhos. Futricados. Que baixo, seus… Vão rabiscar suas badalhocas fedorentas e colher apoio das panelinhas. Vão fazer suas mexidas e manobrar, se enfiem nos botequins da moda, que nem a dignidade de botequins têm. Qualquer pé-sujo ou fecha-nunca de beirada de ferrovia é mais verdadeiro. Qualquer cafofo. Façam essa galinhagem rasteira, essas festivalanças estúpidas e bêbadas. Evitem certos tipos, certos ambientes. Evitem a fala do povo, que vocês nem sabem onde mora e como. Não reportem povo, que ele fede. Não contem ruas, vidas, paixões violentas. Não se metam com o restolho que vocês não vêem humanidade ali. Que vocês não percebem vida ali. E vocês não sabem escrever essas coisas. Não podem sentir certas emoções, como o ouvido humano não percebe ultra-sons. Ô caras! Vão xumbregar suas putinhas de coquetel oficial, mijonas, que são quem vocês merecem. A bem dizer, vocês se parecem como duas gotas d’água. Vão lamber sabão ou, não tendo mais o que fazer, vão dar um pouco de bunda! Canalhocratas, cachorrada consentida. Vão, vão… que a parra de vocês é só pros otários, pros salafras, pros coiós das suas parrandas. Eu disse parrandas. Seus paíbas, suas maria-judias. Ninguém embarca na conversa de vocês, seus remandoleiros de araque: este país de cento de vinte e mais alguns milhões de pessoas e vocês, fedidos, quando vendem muito, conseguem bater na marca dos trezentos mil exemplares. Vocês não prestam. Suas caras balofas e modais refletem um ofício porco que esquece povo, gente, cidade, tudo. Trezentos mil exemplares. E, olhem lá. Um fiasco, seus… Seus ventríloquos de luxo, apanhadores de notas a que xingam, importantões, com o nome estrangeiro de releases oficiais, bonecos de engonço. Ou punheteiros, masturbalícios. Uns papagaios enfeitados, enfatiotados, uns cavalos escovados em paletós e gravatas. Vocês não passam de sabujo. Rasgando o verbo, o jogo em que vocês estão metidos é mais perfeito do que suas ladainhas. Tão perfeito que vocês acabam gostando dele. No íntimo, vocês maquinam que chegarão lá: ‘Caráter? Caráter já era. Só o poder vale.’ E, no fundo, a derrocada alheia os diverte, e uma possível escalada, pessoal e indivisível, lhes acende a gana. Jantemos o nosso irmão, antes que ele nos almoce. Não é assim? Mas estão enganadinhos, que esse jogo já tinha ganhador antes de começar. E o chamado quarto poder da imprensa já dançou, meus, há muito e muito acovardado pela ditadura tupi. Aparentemente, assim, vocês avançam alguns pontos. Mas estão todos enredados, complicados, prejudicados. E fornicados. E escapar, um dia, qual o quê! Ou caem nas garras de um ministério qualquer, trabalhando a mentiralhada de um governo que dizem odiar, ou acabam na mão de uma multinacional. Qual a diferença? Não me dirão? Estão amarrados, argoladinhos, puxados pelo nariz. Abrir a gaiola e escapar é o qu’eu quero ver: e, aí, ninguém. Aí, o gás acabou. Vocês perderam o jeito, o tempo, a vergonha. A fibra. E não têm coragem para mudar. Vocês sabem, quando não bêbados ou dopados, que não fazem falta alguma. E que o mundo seria melhor sem vocês.
João Antônio
HOME SCHOOLED: THE ABCs OF KID SOUL













6 Comments:
Arte: Stephanie Jung
o melhor blog da net!
alguém aqui sabe o que aconteceu com o makingoff.org?
Nem ideia. Dia desses eu soube que o cara do Rizoma.net morreu! Em 2009.
sabem de qual livro do João Antônio é esse trecho?
abçs
"Abraçado ao meu Rancor". Acho que é esse o livro.
Postar um comentário
<< Home